

![]()
Mensagem
dos autores: Estamos cientes de que as fotos (manipuladas para dramatizar) e
os poemas não tem o objetivo de mostrar um trabalho artístico.
Nossa intenção é conscientizar sobre os atos que o homem é capaz de
realiazar contra o seu semelhante. Apesar de hediondo, o que nos surpreende
é que ainda acontece atualmente e, embora não queiramos acreditar, ainda não
estamos livres de que tais brutalidades aconteçam novamente.
Que
fique o alerta!
Triste Verdade
Entre
75 e 79, com a influência do regime maoísta, o Khmer Rouge tomou o
poder no Camboja, exterminando mais de 2 milhões de cidadãos cambojanos. O
objetivo do Khmer Rouge ou "KR", sob a liderança de Pol
Pot, era evacuar os habitantes das cidades e formar uma nação agrícola,
essencialmente de trabalhadores do campo e, em conseqüência, fácil de
dominar. As mudanças foram vertiginosas, ocorrendo de um dia para o outro.
O dinheiro perdeu seu valor, os bancos fecharam, o comércio deixou de
existir e a capital, Phnom Penh, com mais de 2,5 milhões de
habitantes, transformou-se em uma cidade fantasma.
As
pessoas foram enviadas ao interior do país, para plantar arroz. Milhares de
habitantes morreram por doenças e desnutrição tentando produzir grãos
em terras super povoadas e estéreis. Quase toda a safra era trocada por
armas com a China com o objetivo de fortalecer o Khmer Rouge.
As
crianças, por serem facilmente influenciáveis, eram vítimas de cruel
"lavagem cerebral", sendo usadas
como novos recrutas do regime totalitarista de Pol Pot. As primeiras lições
eram as de cortar os laços familiares. A religião foi abolida e a única
doutrina era a teoria absoluta dos maoístas e a mão tirana dos seus
superiores. Qualquer soldado que ousasse questionar uma ordem era
considerado um traidor. Portanto, faziam o que era mandado, sem piedade, emoção
ou contestação.
O
Camboja foi, provavelmente, um dos cenários das piores e mais horríveis
atrocidades conhecidas na história. As vítimas, consideradas uma ameaça
ao regime, eram capturadas sem conhecimento de suas vidas pregressas.
Pessoas com alguma cultura ou conhecimento como professores, médicos,
estudantes, pessoas que falavam uma língua estrangeira (ou simplesmente
porque usavam óculos) eram consideradam
“parasitas”. Essas eram assassinadas junto com todos os membros
de sua família. Até os bebês tiveram destino cruel e desumano.
Freqüentemente
suas pequenas cabeças eram esmagadas num tronco de árvore, na presença de
seus pais. Em alguns casos, os bebês foram usados como um torpe passatempo,
servindo como alvo para os soldados, que os jogavam para o ar e disparavam
contra esses. Quem sabe essas crianças tiveram o "privilégio" de
morrer rapidamente!
A
maioria das vítimas era amarrada e recebia um golpe na cabeça com um taco
de bambú. Para muitos, tal golpe não era fatal, apenas os deixando
inconscientes, sendo sepultados vivos em covas coletivas.
Campos
de extermínio foram criados em todo o território. O pior e mais assustador
deles era o Choeung Ek, próximo à capital Phnom Penh. Mais
de 17.000 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, foram ali
assassinadas. Eram levadas do Centro de Detenção S-21 (no centro da
capital) para o campo de extermínio Choeung Ek (no interior do país).
A
história política do regime Pol Pot é complexa e delicada, devido
ao envolvimento de grandes potências estrangeiras, especialmente a China e
os Estados Unidos. Até hoje, muitos negam seu envolvimento criminoso nos
assuntos internos do Camboja e oferecem pouca ajuda para que o país possa
ser reestruturado e erguido novamente.
É
importante ressaltar que 1/3 da população foi exterminada.
Atualmente,
o Camboja enfrenta outra ameaça. Mais de 8 milhões de minas terrestres
permanecem ativas no país. Apesar da ajuda de organizações voluntárias
para retirar essas armadilhas mortais, muitos homens, mulheres e crianças
perderam suas vidas ou seus membros, pisando acidentalmente numa dessas
minas, mutilando, assim, corpos, vidas e almas.
Esta
mensagem não deseja demonstrar preferências políticas ou partidárias,
mas os fatos são reais e a história é recente e ninguém nega a terrível
realidade do Khmer Rouge. Tem como objetivo mostrar para todos a
verdade esquecida sobre o Camboja. Lembrar que seres humanos são capazes de
cometer os atos mais sórdidos. Não há limite para a crueldade quando se
está obcecado por uma teoria ou ideologia absurda que parece ideal, mas, na
verdade, é como se colocássemos uma venda nos olhos impedindo que se veja a realidade.O extremismo é perigoso e cada vez mais está a nossa volta. Quando não há nada a perder, qualquer coisa pode acontecer, surge o desespero, que não mostra piedade ou remorso.
O Que Sobra Da Guerra
Todo
o ser humano tem um lado obscuro. E na guerra o lado obscuro exacerba e
passa a dominar. É inimaginável, nem nos mais macabros filmes e livros de
terror, conseguimos ver a perversidade que um ser humano é capaz de
proporcionar a outro semelhante.
Pois
num estado de guerra, onde o caos está instaurado, o ser humano de mãos
dadas com a covardia, aproveita-se da situação catastrófica e dá vazão
aos seus mais perversos e hediondos desejos. Dilacerando psicologicamente e
fisicamente com o seu semelhante e como se não bastasse usando de requintes
da mais desprezível crueldade.
Chega
a ser jocoso, quando alguma organização mundial ou os próprios
governantes em prol da paz falam em “crimes de guerra”, como se a própria
guerra já não fosse um crime.
Além
do sofrimento, há todo um interesse sórdido e mesquinho por trás,
daqueles que se locupletam com a guerra. E isso dói.
A
morte de crianças, doces crianças, que amanhã, quem sabe, poderiam ser
grandes cientistas, ou músicos, ou atletas, ou artistas. Mas estupidamente,
tiveram suas vidas abreviadas.
Pais
sem filhos, filhos sem pais, famílias seccionadas, almas perdidas, este é
o saldo da guerra.
Rodrigo Ohar