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Uma Incrível
História de Um Sobrevivente do Tsunami
A RECOMPENSA DA
BONDADE
Muito se ouviu falar sobre o “Tsunami” que repentinamente extinguiu com
milhares de vidas humanas, mas estar lá, mesmo depois de um mês e pouco, e
vivenciar as histórias dos sobreviventes, me fez pensar, pensar e
pensar...
“Khao Lak”, no litoral da Tailândia, mais ou menos do tamanho da praia de
Imbé no Rio Grande do Sul, é muito freqüentada por alemães e suecos. Já
foi uma vila de pescadores, e se desenvolveu ao longo dos anos,
tornando-se um lugar com grandes Resorts, bons restaurantes e muita
diversão procurada pelos europeus.
Nessa praia oficialmente morreram 3.200 pessoas, sendo 2000 desaparecidas.
Além disso, pode haver milhares de imigrantes ilegais sumidos, a maioria
Birmaneses, que trabalhavam na franca expansão da construção civil; número
esse que nunca poderá ser confirmado.
Durante minha visita em fevereiro de 2005 (40 dias depois da catástrofe)
vivenciei várias histórias, mas uma em particular me sinto na obrigação de
relatar.
Jerry
é um inglês que estava de férias na hora do desastre, que encontrei quando
tinha retornado ao local, também 40 dias depois. Quando ele estava indo
para a praia, por volta das 9 horas da manhã, muitas pessoas corriam na
direção contraria, muitos ensangüentados gritando “onda grande”. Por
instinto, óbvio, seguiu a multidão que se deslocou até um local mais alto
(mais ou menos 30m). Chegando lá, avistou a segunda onda, agora com 10m,
já que a primeira tenha 6. Nesse ponto alto, dentro da floresta, todos
ficaram aguardando os próximos acontecimentos, que não sabiam quando ou
como ocorreria. Entretanto, as pessoas precisavam de ajuda e se criou uma
pequena clínica no local, já que havia um médico suíço entre os
sobreviventes. O médico instintivamente começou a socorrer a todos, dos
feridos graves aos que apenas tinham arranhões, mas que pela situação de
stress e horror estavam debilitados e apavorados, precisando de atenção.
Jerry
ficou ao lado do médico auxiliando no que podia. Passaram-se quase nove
horas sem que o médico parasse um só minuto de atender as vítimas, nem
para comer, mesmo porque não havia comida, nem água.
Já passava das 18h, quando finalmente as pessoas começaram a se deslocar
acreditando que pior já havia acontecido, retornando aos destroços onde
deixaram suas casas, seus pertences e, muitas vezes, suas famílias.
Enfim, quando só restava o médico, o inglês Jerry e mais ou menos
uma dúzia de pessoas, o prestativo curandeiro virou-se para o ajudante
Jerry e desabafou: “- Não vi minha mulher e meus filhos desde o
momento do tsunami.”
Neste exato momento, ouviu-se vozes dentro da floresta em um ponto um
pouco mais alto de onde eles estavam. Minutos depois apareceram várias
pessoas e, dentre elas, pasmem, a família do humanitário médico, sã e
salva.
Jerry
ficou sem palavras pensando que grande ser humano foi o médico por optar
atender aquelas pessoas que tinha certeza que poderia ajudar, em
detrimento de procurar sua família, numa busca não tão certa quanto
auxiliar os feridos que estavam ao alcance de suas mãos, e, muitas vezes,
a própria vida deles estava, naquele exato momento, nas suas mãos.
Como se explica isso. Não se explica, não tente. A sensação que fica é da
grandiosidade de se fazer o bem e a prova de que se receberá a recompensa.
É o que senti, mais ainda num país onde os ensinamentos budistas pregam
exatamente esse comportamento.
Texto - Bryan Parsley
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